Hospital infantil do Vaticano é acusado de cometer irregularidades

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O hospital infantil do Vaticano é acusado de cometer irregularidades em tratamentos para garantir lucro. Uma investigação da agência de notícias Associated Press (AP) afirma que o hospital infantil Menino Jesus, conhecido como “hospital do Papa”, prejudicou o atendimento de crianças de 2008 a 2015. Segundo médicos e enfermeiros, a diretoria que comandou o hospital no período ignorou protocolos de saúde pública e deixou os pacientes sofrerem. As informações são do Jornal da Record e do portal R7.

Problemas

As condições precárias do local podem ter contribuído para a morte de pelo menos oito crianças infectadas por uma superbactéria na ala de tratamento de câncer. Entre os problemas apontados, estão a economia de materiais descartáveis e a prioridade na compra de seringas mais baratas, que se quebravam ao serem usadas. A AP diz que a instituição passou por superlotação e falta de higiene. Segundo a agência, os médicos do hospital também eram pressionados a realizar mais cirurgias e, em alguns casos, o tempo de anestesia dos pacientes era reduzido de propósito.

O Vaticano sabia?

Já sob a direção do papa Francisco, em 2014, o Vaticano apurou denúncias de funcionários sobre pacientes com anestesia suspensa antes do tempo e a priorização constante do lucro, mas o relatório foi mantido em sigilo. O papa e o Vaticano não explicaram por que mantiveram em segredo o resultado das investigações. “Eu vi um paciente que passou por quimioterapia sentado em uma sala lotada e em péssimas condições”, disse uma enfermeira norte-americana que participou de primeira investigação. No ano seguinte, um segundo inquérito concluiu que não havia nada de errado no hospital.

As denúncias sobre irregularidades foram levantadas pela AP por meio de conversas com empregados, pacientes, familiares e agentes de saúde, além da análise de formulários médicos, documentos de tribunais civis, e-mails de funcionários do hospital e queixas apresentadas por sindicatos ao longo de cinco anos.

Hospital nega

O hospital Menino Jesus contestou as conclusões da AP, ameaçou abrir um processo jurídico e disse que a investigação da agência se baseia em informações “falsas ou seriamente infundadas e defasadas em mais de dois anos; improvável a nível clínico e sobretudo difamatória a níveis ético e moral”, como destaca reportagem da rede de notícias norte-americana CBS. Apesar disso, o Ministério da Saúde italiano, que financia a instituição, vai investigar as denúncias.

Segundo a AP, o hospital Menino Jesus foi fundado em 1869 para atender crianças pobres e foi doado ao Vaticano em 1924. Hoje, é o principal centro de medicina pediátrica no sul da Itália. O local recebe cirurgiões de alto nível e visitas de celebridades e autoridades, como a primeira-dama dos Estados Unidos, Melania Trump.

Mais denúncias

No ano passado, o mesmo hospital esteve no centro de outro escândalo. Segundo a imprensa italiana, o dinheiro que deveria ser destinado ao tratamento das crianças teria sido usado na reforma do apartamento de luxo do ex-secretário de Estado do Vaticano Tarcisio Bertone.

Em busca da verdade

Ainda é cedo para ter certeza sobre o que de fato ocorreu no hospital infantil comandado pela Igreja Católica. Entretanto, a reportagem investigativa da AP chama a atenção pelos detalhes e pelo número de pessoas ouvidas. Além disso, o fato de o Vaticano ter comandado duas investigações seguidas sobre o hospital dá indícios de que algo poderia estar errado. Em meio às denúncias, resta ao Vaticano ser transparente com seus fiéis e com o governo italiano.

Por que o relatório de 2014 sobre o hospital não foi divulgado, por exemplo? E por que tantos funcionários do hospital dariam depoimentos a uma das maiores agências de notícias do mundo se não houvesse alguma verdade em suas declarações? Como o Vaticano explica a denúncia sobre o suposto desvio de dinheiro do hospital Menino Jesus para o financiamento de reformas no apartamento de um ex-secretário de Estado e um dos atuais cardeais da igreja? São muitas perguntas. E é recomendável que o Vaticano comece a respondê-las.

*Com informações do Jornal da Record e Portal R7

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